quinta-feira, 27 de novembro de 2008

La Visita !

Puede ser que el viaje no esté mal
Que un ángel celestial me invite a cenar
Puede ser que no haya más allá
Que el cuento acabe mal y no vuelva a empezar.
Hoy ha venido a verme una mujer alta y sonriente(Me ha dicho) coge mi mano fuerte y sígueme
Puede ser que el cielo tenga mar
Que sea un buen lugar para verte llegar
También puede ser que no te vuelva a ver
Que tenga que sufrir mi destierro sin ti
Hoy ha venido a verme una mujer alta y sonriente(Me ha dicho) coge mi mano fuerte y sígueme
Vino vestida de blanco
Se sentó a mi lado y me hizo sonreír
Mientras aún tirabas tú de mí
Y antes de su beso eterno
Le pedí un deseo que pude cumplir
Deshojar la luna para mí
Y en el pétalo de la esperanza
Pude ver tu nombre y el de otra mujer
Suspiré tranquila serás feliz otra vez
Suelta ya mi mano, suelta ya mi mano
Suelta ya mi mano estaré bien
La Oreja de Van Gogh

terça-feira, 25 de novembro de 2008

UAH LUA !


Uah lúa, sagra lua
Uah branca, sagra lúa
Uah lúa, branca lúa
Uah sagra, branca lua
Collerei folla do visgo
É a noite de San Xoán
Brada o porco nos outeiros
Os carballos bruando están.
Bebe moza á meia noite
A frol da i'auga pura
Colle da herba preñadeira
Orballo para a fermosura
Alumean as fogueiras
As lembranzas do meu clan
Deses bravos q morreron
Por Kalaikia, seus irmáns
Luar Na Lubre

sábado, 22 de novembro de 2008

A CRUZ MUTILADA


Amo-te, ó cruz, no vértice, firmada
De esplêndidas igrejas;
Amo-te quando à noite, sobre a campa,
Junto ao cipreste alvejas;
Amo-te sobre o altar, onde, entre incensos,
As preces te rodeiam;
Amo-te quando em préstito festivo
As multidões te hasteiam;
Amo-te erguida no cruzeiro antigo,
No adro do presbitério,
Ou quando o morto, impressa no ataúde,
Guias ao cemitério;
Amo-te, ó cruz, até, quando no vale
Negrejas triste e só,
Núncia do crime, a que deveu a terra
Do assassinado o pó:
Porém guando mais te amo,
Ó cruz do meu Senhor,
É, se te encontro à tarde,
Antes de o Sol se pôr,
Na clareira da serra,
Que o arvoredo assombra,
Quando à luz que fenece
Se estira a tua sombra,
E o dia últimos raios
Com o luar mistura,
E o seu hino da tarde
O pinheiral murmura.
ALEXANDRE HERCULANO

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

CAVALEIRO DE CRISTO!

Os Portugueses, senhores do campo, celebravam com prantos a vitória.
Poucos havia que não estivessem feridos; nenhum que não tivesse as armas
falsadas e rotas. O Lidador e os demais cavaleiros de grande conta que naquela
jornada tinham acabado, atravessados em cima dos ginetes, foram conduzidos a Beja. Após aquele tristíssimo préstito, iam os cavaleiros a passo lento, e um
sacerdote Templário, que fora na cavalgada, com a espada cheia de sangue metida
na bainha, salmodeava em voz baixa aquelas palavras do livro da Sabedoria:
"Justorum autem animae in manu Dei sunt, et non tangent illos tormentummortis".

A Morte do Lidador - Alexandre Herculano


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

TRÉGUA

Agora a noite é nossa, fala baixo oh borboleta, findaram os combates nas ruínas.
Entrega ao arvoredo a cor que é do teu corpo, abandona os mistérios de menina.
Já se ouve a cascata no monte menina, perto da gruta renasceu.
Já se ouve o murmurar do lago onde há pouco o luar, cansado adormeceu.
Vejo sombras calmas na montanha menina, sonho o teu corpo a naufragar.
Já perdi o medo do tempo que é tempo de perder, com medo de te amar.
Agora a noite é nossa, fala baixo oh borboleta, findaram os combates nas ruínas.
Entrega ao arvoredo a cor que é do teu corpo, abandona os mistérios de menina.
Já se ouve a cascata no monte menina, perto da gruta renasceu.
Já se ouve o murmurar do lago onde há pouco o luar, cansado adormeceu.
Deixa que os cavalos se afastem menina, já não vês lanças a brilhar.
Agora que a noite nos deu trégua, é tempo de uma noite, sem trégua para te amar.
Agora a noite é nossa, fala baixo oh borboleta, findaram os combates nas ruínas.
Entrega ao arvoredo a cor que é do teu corpo, abandona os mistérios de menina.

QUADRILHA - letra

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ANJO ÉS

Anjo és tu, que esse poder
Jamais o teve mulher,
Jamais o há-de ter em mim.
Anjo és, que me domina
Teu ser o meu ser sem fim;
Minha razão insolente
Ao teu capricho se inclina,
E minha alma forte, ardente,
Que nenhum jugo respeita,
Covardemente sujeita
Anda humilde a teu poder.
Anjo és tu, não és mulher.
Anjo és. Mas que anjo és tu?
Em tua fronte anuviada
Não vejo a c'roa nevada
Das alvas rosas do céu.
Em teu seio ardente e nu
Não vejo ondear o véu
Com que o sôfrego pudor
Vela os mistérios d'amor.
Teus olhos têm negra a cor,
Cor de noite sem estrela;
A chama é vivaz e é bela,
Mas luz não têm.
- Que anjo és tu?
Em nome de quem vieste?
Paz ou guerra me trouxeste De Jeová ou Belzebu?
Não respondes - e em teus braços
Com frenéticos abraços
Me tens apertado, estreito!...
Isto que me cai no peito Que foi?...
- Lágrima? - Escaldou-me...
Queima, abrasa, ulcera...
Dou-me, Dou-me a ti, anjo maldito,
Que este ardor que me devora
É já fogo de precito,
Fogo eterno, que em má hora
Trouxeste de lá...
De donde?
Em que mistérios se esconde
Teu fatal, estranho ser!
Anjo és tu ou és mulher?
Almeida Garrett, 'Folhas Caídas'

terça-feira, 11 de novembro de 2008

S. MARTINHO




Martinho era um soldado romano. Num dia de Inverno, passava Martinho a cavalo por Amiens quando foi interrompido na sua marcha por um pobrezinho, tiritando de frio, que lhe pediu esmola.
Martinho não tinha trocos.

Decidiu--se, então, por dividir a magnífica capa vermelha com que se abrigava da intempérie.

Com a sua espada cortou-a de um golpe, deu metade da capa ao sem--abrigo e logo o Sol despontou com tal intensidade que mais parecia estar-se no Verão.