sexta-feira, 5 de dezembro de 2008



ISTФ
DIZEM que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
NÃO MEU, não meu é quanto escrevo.
A quem o devo?
De quem sou o arauto nado?
Por que, enganado,
Julguei ser meu o que era meu?
Que outro mo deu?
Mas, seja como for, se a sorte
For eu ser morte
De uma outra vida que em mim vive,
Eu, o que estive
Em ilusão toda esta vida
Aparecida,
Sou grato Ao que do pó que sou
Me levantou.
(E me fez nuvem um momento
De pensamento.)
(Ao de quem sou, erguido pó,
Símbolo só.)

Fernando Pessoa

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

La Visita !

Puede ser que el viaje no esté mal
Que un ángel celestial me invite a cenar
Puede ser que no haya más allá
Que el cuento acabe mal y no vuelva a empezar.
Hoy ha venido a verme una mujer alta y sonriente(Me ha dicho) coge mi mano fuerte y sígueme
Puede ser que el cielo tenga mar
Que sea un buen lugar para verte llegar
También puede ser que no te vuelva a ver
Que tenga que sufrir mi destierro sin ti
Hoy ha venido a verme una mujer alta y sonriente(Me ha dicho) coge mi mano fuerte y sígueme
Vino vestida de blanco
Se sentó a mi lado y me hizo sonreír
Mientras aún tirabas tú de mí
Y antes de su beso eterno
Le pedí un deseo que pude cumplir
Deshojar la luna para mí
Y en el pétalo de la esperanza
Pude ver tu nombre y el de otra mujer
Suspiré tranquila serás feliz otra vez
Suelta ya mi mano, suelta ya mi mano
Suelta ya mi mano estaré bien
La Oreja de Van Gogh

terça-feira, 25 de novembro de 2008

UAH LUA !


Uah lúa, sagra lua
Uah branca, sagra lúa
Uah lúa, branca lúa
Uah sagra, branca lua
Collerei folla do visgo
É a noite de San Xoán
Brada o porco nos outeiros
Os carballos bruando están.
Bebe moza á meia noite
A frol da i'auga pura
Colle da herba preñadeira
Orballo para a fermosura
Alumean as fogueiras
As lembranzas do meu clan
Deses bravos q morreron
Por Kalaikia, seus irmáns
Luar Na Lubre

sábado, 22 de novembro de 2008

A CRUZ MUTILADA


Amo-te, ó cruz, no vértice, firmada
De esplêndidas igrejas;
Amo-te quando à noite, sobre a campa,
Junto ao cipreste alvejas;
Amo-te sobre o altar, onde, entre incensos,
As preces te rodeiam;
Amo-te quando em préstito festivo
As multidões te hasteiam;
Amo-te erguida no cruzeiro antigo,
No adro do presbitério,
Ou quando o morto, impressa no ataúde,
Guias ao cemitério;
Amo-te, ó cruz, até, quando no vale
Negrejas triste e só,
Núncia do crime, a que deveu a terra
Do assassinado o pó:
Porém guando mais te amo,
Ó cruz do meu Senhor,
É, se te encontro à tarde,
Antes de o Sol se pôr,
Na clareira da serra,
Que o arvoredo assombra,
Quando à luz que fenece
Se estira a tua sombra,
E o dia últimos raios
Com o luar mistura,
E o seu hino da tarde
O pinheiral murmura.
ALEXANDRE HERCULANO