quinta-feira, 10 de setembro de 2009

S+O+P+R+O


O Sopro de Ram

Solta todo o ar dos pulmões, esvaziando-os o mais possível.
Depois, vai inspirando lentamente à medida que levantas os braços até ao alto. Enquanto inspiras, concentra-te para que dentro de ti mesmo entre amor, paz e harmonia com o universo.
Mantém a respiração presa e os braços levantados o máximo de tempo possível, gozando a harmonia interior e exterior. Quando chegares ao limite, solta todo o ar numa rápida expiração, enquanto pronuncias a palavra RAM.
Repete durante cinco minutos.

V I A G E M




IIIº C a m i n h o

Finalmente existia o terceiro caminho – um caminho que levava até aos restos mortais do apóstolo Santiago, enterrados num local da Península Ibérica onde certa noite um pastor tinha visto uma estrela brilhante sobre um campo. A lenda conta que não apenas Santiago, mas a própria Virgem Maria, estiveram por ali, logo após a morte de Cristo, a levar a palavra do Evangelho e a exortar os povos a converterem-se. O local ficou sendo conhecido como Compostela – o campo da estrela – e logo surgiu uma cidade que iria atrair viajantes de todo o resto do mundo cristão. A estes viajantes que percorriam a terceira rota sagrada, foi-lhes dado o nome de peregrinos, e passaram a ter como símbolo uma concha.
paulo coelho

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

C A M I N H O





Assim como a tradição muçulmana exige que todo o fiel faça, pelo menos uma vez na vida, a caminhada que Maomé fez de Meca a Medina, o primeiro milénio do cristianismo conheceu três rotas consideradas sagradas (…). A primeira rota levava até ao túmulo de São Pedro, em Roma, os seus caminhantes tinham por símbolo uma cruz e eram chamados romeiros. A segunda rota levava até ao Santo Sepulcro de Cristo, em Jerusalém, e os que faziam este caminho eram chamados palmeiros porque tinham como símbolo as palmas com que Cristo foi saudado quando entrou na cidade. Finalmente existia um terceiro caminho (…)

paulo coelho – Diário de um Mago

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Chove En San+iago



Chove en Santiago
meu doce amor
camelia branca do ar
brila entebrecida ao sol.

Chove en Santiago
na noite escura.
Herbas de prata e sono
cobren a valeira lúa.

Olla a choiva pola rúa
laio de pedra e cristal.
Olla no vento esvaido
soma e cinza do teu mar.

Soma e cinza do teu mar
Santiago, lonxe do sol;
agoa da mañan anterga
trema no meu corazón

Luar na Lubre




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Oração de San+iago



Apóstolo Santiago,
Escolhido entre os primeiros,
Tu foste o primeiro a beber
No cálice do Senhor,
E és o grande protetor dos peregrinos;
Faz-nos fortes na fé
E alegre na esperança,
Em nosso caminhar
De peregrino
Seguindo o caminho
Da vida de Cristo
E alenta-nos para que
Finalmente,
Alcancemos a glória
De Deus Pai,

Assim Seja.

Pai Nosso dos Templários




SENHOR, perdoa-me se não rezo a oração que teu filho nos ensinou, pois
julgo-me indigno de tão bela mensagem. Refleti sobre esta oração e cheguei
às seguintes conclusões:
Para dizer o "PAI NOSSO", antes devo considerar todos os homens,
independentemente de sua cor, raça, religião, posição social ou política,
como meus irmãos, pois eles também são teus filhos; devo amar e proteger a
natureza e os animais, pois se tu és meu pai, também és meu criador, e quem
criou a mim, também criou a natureza.
Para dizer "QUE ESTAIS NO CÉU", devo antes fazer uma profunda análise em
minha consciência, procurando lembrar-me de quantas vezes te julguei como um
celestial pai, pois, na realidade, sempre vivi me preocupando com coisas
materiais.
Para dizer "SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME", devo antes verificar se não
cometi sacrilégios ao adorar outros deuses até acima de ti.
Para dizer "VENHA A NÓS O VOSSO REINO", devo antes examinar minha
consciência e procurar saber se não digo isto apenas por egoísmo, querendo
de ti tudo, sem nada dar em troca.
Para dizer "SEJA FEITA A VOSSA VONTADE", devo antes buscar meu verdadeiro
Ser e deixar de ser um falso Cristão, pois a tua vontade é a união fraternal
de todos os seres que criastes.
Para dizer "ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU", devo antes deixar de ser mundano e
me livrar dos desenfreados prazeres, das orgias, do orgulho e do egoísmo.
Para dizer "O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE", devo antes repartir o pão
que me destes com os meus irmãos mais carentes e necessitados, pois é dando
que se recebe; é amando que se é amado.
Para dizer "PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO TEMOS PERDOADO A QUEM NOS
TEM OFENDIDO", devo antes verificar se alguma vez tornei a estender minha
mão àquele que me traiu; se alimentei àquele que me tirou o pão; se dei
esperanças e acalentei àquele que me fez chorar; pois só assim terei
perdoado àquele que me ofendeu.
Para dizer "E NÃO NOS DEIXAI CAIR EM TENTAÇÃO, MAS LIVRAI-NOS DO MAL", devo
antes deixar limpo o foco de meus pensamentos; amparar a mão estendida;
socorrer o pedido de aflição; alimentar a boca faminta; iluminar os cegos e
amparar os aleijados, ajudando a construção de um mundo melhor.
E finalmente, para dizer "AMÉM", deverei fazer tudo isso agradecendo ao meu
Criador, cada segundo de minha vida, como a maior dádiva que poderia
receber. No entanto Senhor, embora procure assim proceder, ainda não me
julgo suficientemente forte, no intuito de tudo isto te prometer e cumprir.
Perdoa-me, Senhor meu Pai, porém minha perfeição a tanto ainda não chegou.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A+L+É+M . . .



Além-Deus

I / ABISMO

OLHO O TEJO, e de tal arte
Que me esquece olhar olhando,
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando —
O que é ser-rio, e correr?
O que é está-lo eu a ver?

Sinto de repente pouco,
Vácuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente é oco —
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo — eu e o mundo em redor —
Fica mais que exterior.

Perde tudo o ser, ficar,
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, idéia, alma de nome
A mim, à terra e aos céus...

E súbito encontro Deus.

II / PASSOU

Passou, fora de Quando,
De Porquê, e de Passando...,
Turbilhão de Ignorado,
Sem ter turbilhonado...,

Vasto por fora do Vasto
Sem ser, que a si se assombra...

O Universo é o seu rasto...
Deus é a sua sombra...

III/ A VOZ DE DEUS

Brilha uma voz na noute...
De dentro de Fora ouvi-a...
Ó Universo, eu sou-te...
Oh, o horror da alegria
Deste pavor, do archote
Se apagar, que me guia!

Cinzas de idéia e de nome
Em mim, e a voz: Ó mundo,
Sermente em ti eu sou-me...
Mero eco de mim, me inundo
De ondas de negro lume
Em que para Deus me afundo.

IV / A QUEDA

Da minha idéia do mundo
Caí...
Vácuo além de profundo,
Sem ter Eu nem Ali...

Vácuo sem si-próprio, caos
De ser pensado como ser...
Escada absoluta sem degraus...
Visão que se não pode ver...

Além-Deus! Além-Deus! Negra calma...
Clarão de Desconhecido...
Tudo tem outro sentido, ó alma,
Mesmo o ter-um-sentido...

V / BRAÇO SEM CORPO BRANDINDO UM GLÁDIO
(Entre a árvore e o vê-la)

Entre a árvore e o vê-la
Onde está o sonho?
Que arco da ponte mais vela
Deus?... E eu fico tristonho
Por não saber se a curva da ponte
É a curva do horizonte...

Entre o que vive e a vida
Pra que lado corre o rio?
Árvore de folhas vestida —
Entre isso e Árvore há fio?
Pombas voando — o pombal
Está-lhes sempre à direita, ou é real?

Deus é um grande Intervalo,
Mas entre quê e quê?...
Entre o que digo e o que calo
Existo? Quem é que me vê?
Erro-me... E o pombal elevado
Está em torno na pomba, ou de lado?
F+P