sábado, 31 de outubro de 2009

As Duas Colunas




Salomão enviou arautos a Tiro para trazer Hiram. Este era filho de uma mulher viúva, da tribo de Neftali, e seu pai era de Tiro. Hiram era dotado de grande sabedoria, inteligência e habilidade para fabricar toda a espécie de trabalhos em bronze; ele apresentou-se ao rei Salomão e executou-lhe todos os trabalhos.
Fundiu duas colunas de bronze; a primeira media dezoito côvados (*) de altura; para rodear a segunda, era preciso um fio de doze côvados. Fundiu dois capitéis de bronze para pôr no cimo das colunas; um media cinco côvados de altura e o outro, igualmente cinco côvados. Estavam adornados com redes de malha de grinaldas em forma de cadeia; sete para o primeiro capitel e sete para o segundo.
Fez igualmente duas fileiras de romãs em volta das redes para cobrir os capitéis que cobriam as colunas.
Os capitéis que estavam no cimo das colunas do átrio, esses tinham a forma de lírio, com quatro côvados.
Os capitéis postos no cimo das duas colunas erguiam-se sobre a parte mais espessa da coluna, além da rede; em redor dos capitéis havia duzentas romãs dispostas em círculo.
Colocou estas duas colunas junto do pórtico do templo; à da direita chamou-lhe J A Q U I N ( ** ), e à da esquerda, B O O Z ( *** ). Sobre as colunas colocou remates em forma de lírio; assim terminou em beleza o trabalho das colunas.

(*) - Côvado = 50 cm.
(**) – Ele estabelece firmemente.
(***) – Ele robustece fortemente.

1 Rs – 7 ( 13 – 22)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

T R A M A

Considera de contínuo que o mundo é como um ser único, contendo uma substância única e uma única alma; e que tudo vai desaguar à mesma e única percepção que é a sua; ele tudo realiza por força do mesmo impulso; todas as coisas ao mesmo tempo concorrem para causar o que acontece e que trama cerrada e complicada é o que elas produzem.

Marco Aurélio - Pensamentos

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sórdido Encanto


Tempo
de recomeço
de um lugar que penso.
Tenho dor de o pensar
em seu Momento.

Lugar
encontrar o que não tenho
Spada desencantada
de qualquer encanto.

Momento
que de mágico
passa a não ter
Nada
porque nele me adentro.
Desassossego
em permanente
Sussurro.

Assim
Sou eu,
Seremos Todos...
Todo
Nada
Não
quero
Assim
não o meu Eu
não o seremos Todos...
em Tudo.

No
Todo
Nus
de
um
Todo!
N: D: N: S: D:

segunda-feira, 19 de outubro de 2009




Viver interessa mais que ter vivido;

e a vida só é vida real quando sentimos

fora de nós alguma coisa de diferente.

A. da Silva

sábado, 17 de outubro de 2009

+++



Os homens compram tudo pronto nas lojas... Mas como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos.
Antoine de Saint-Exupéry

terça-feira, 6 de outubro de 2009

+ MOSTRENGO +



“O mostrengo que está no fundo do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo que a minha alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
de El-Rei D. João Segundo!»”

Fernando Pessoa, “O Mostrengo” in “Mensagem”

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

P+O+R+T+U+G+A+L


Maior do que nós, simples mortais, este gigante
foi da glória dum povo o semideus radiante.
Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,
seu torrão dilatou, inóspito montado,
numa pátria... E que pátria! A mais formosa e linda
que ondas do mar e luz do luar viram ainda!
Campos claros de milho moço e trigo loiro;
hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro;
trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas;
nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas;
gados nédios; colinas brancas olorosas;
cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;
selvas fundas, nevados píncaros, outeiros
de olivais; por nogais, frautas de pegureiros;
rios, noras gemendo, azenhas nas levadas;
eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:
riso, abundância, amor, concórdia, Juventude:
e entre a harmonia virgiliana um povo rude,
um povo montanhês e heróico à beira-mar,
sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!
Pátria feita lavrando e batalhando: aldeias
conchegadinhas sempre ao torreão de ameias.
Cada vila um castelo. As cidades defesas
por muralhas, bastiões, barbacãs, fortalezas;
e, a dar fé, a dar vigor, a dar o alento,
grimpas de catedrais, zimbórios de convento,
campanários de igreja humilde, erguendo à luz,
num abraço infinito, os dois braços da cruz!
E ele, o herói imortal duma empresa tamanha,
em seu tuguriozinho alegre na montanha
simples vivia – paz grandiosa, augusta e mansa! -,
sob o burel o arnês, junto do arado a lança.
Ao pálido esplendor do ocaso na arribana,
di-lo-íeis, sentado à porta da choupana,
ermitão misterioso, extático vidente,
olhos no mar, a olhar sonambolicamente...
«Águas sem fim! Ondas sem fim! Que mundos novos
de estranhas plantas e animais, de estranhos povos,
ilhas verdes além... para além dessa bruma,
diademadas de aurora, embaladas de espuma!
Oh, quem fora, através de ventos e procelas,
numa barca ligeira, ao vento abrindo as velas,
a demandar as ilhas de oiro fulgurantes,
onde sonham anões, onde vivem gigantes,
onde há topázios e esmeraldas a granel,
noites de Olimpo e beijos de âmbar e de mel!»
E cismava, e cismava... As nuvens eram frotas,
navegando em silêncio a paragens ignotas...
– «Ir com elas...Fugir...Fugir!...» Ûa manhã,
louco, machado em punho, a golpes de titã,
abateu, impiedoso, o roble familiar,
há mil anos guardando o colmo do seu lar.
Fez do tronco num dia uma barca veleira,
um anjo à proa, a cruz de Cristo na bandeira...
Manhã de heróis... levantou ferro... e, visionário,
sobre as águas de Deus foi cumprir seu fadário.
Multidões acudindo ululavam de espanto.
Velhos de barbas centenárias, rosto em pranto,
braços hirtos de dor, chamavam-no... Jamais!
Não voltaria mais! Oh! Jamais! Nunca mais!
E a barquinha, galgando a vastidão imensa,
ia como encantada e levada suspensa
para a quimera astral, a músicas de Orfeus:
o seu rumo era a luz; seu piloto era Deus!
Anos depois, volvia à mesma praia enfim
uma galera de oiro e ébano e marfim,
atulhando, a estoirar, o profundo porão
diamantes de Golconda e rubins de Ceilão!
GUERRA JUNQUEIRO