sexta-feira, 26 de março de 2010

Silêncio-me

[ . . . ]

Amo o silêncio
carrego-me 40 anos
de [in]existência
sofro-me ... me sofro ... sopro ... sofro

Amo o silêncio
tanto como o odeio
amo repugnando-me o silêncio
40 anos carrego-me
em silêncio
carrego-me ... sopro ... me sofro

a constante;
Amo-me odiando-me amando
sempre lá
o sopro ... em silêncio ... carrego-me ... sofro-me ... silêncio-me

[ ao passares por estas palavras ... faz silêncio ... [shiu] ... SUSSURRA SIBELINO [ sss ]... S I L Ê N C I O ! ]

n:d:n:S:D:

sexta-feira, 19 de março de 2010

a missão das folhas



naquela tarde quebrada
contra o meu ouvido atento
eu soube que a missão das folhas
é definir o vento


ruy belo

Suicido-me nas palavras.



«Escrevo como vivo, como amo, destruindo-me. Suicido-me nas palavras. Violento-me. Altero uma ordem, uma harmonia, uma paz que, mais do qua a paz invocada como instrumento de opressão, mais do que a paz dos cemitérios, é a paz, a harmonia das repartições públicas, dos desfiles militares, da concórdia doméstica, da instituições de benemerência. Ao escrever, mato-me e mato.»


Ruy Belo

sexta-feira, 12 de março de 2010

EXCESSO



Há amores estranhos fundos sem razão
- são secretos vivem na cumplicidade
indizíveis nas palavras que aqui vão
são impróprios de viver em liberdade
levaram a ternura ao exagero
e a um excesso saboroso a nossa pele
só compreende quem sente o latejar
bem mais dentro que os olhos do olhar,
há amores que não posso aqui explicar
pois quer queiram quer não inda vivemos
na pré-História de um Futuro de cem mil anos
nas grutas de um sentir que não sabemos

há uma palavra escandalosa e proibida
quando se fecha a porta e começa a fantasia
e me sento no sofá e desligo-me da vida
e fico Senhor completo do teu corpo
e o código começou e tu me ofereces
o máximo que alguém nos pode dar
e a guerra não tem hoje nem tabus
são duas vontades grandes que ali estão
e mais que as mãos e a boca e o Futuro
e o vício de dois corpos seminus
amarro em ti a vida que me escapa
e acordas-me explicando o mundo todo
e cedo a esta raiva que me mata

e sinto em ti Mulher, Mulher de mais
e houvesse aqui, agora, já, um altar
e eu casava-me contigo poro a poro,
casava-me contigo em todos os rituais
se é que não estou exactamente assim casando
o ontem com o presente e o infinito
e a cada jogo beijo salto ou grito
pressinto o chão fugir e o mundo longe
e há um abuso consentido que não peço
e tu olhas-me plácida e tremente raiva e calma
e a tormenta desabrocha e sai de nós
pela porta escancarada do excesso


Pedro Barroso

quarta-feira, 10 de março de 2010

Quietude





O porquê de não mergulhar
no rio...
Sentados, na margem,
sob a sombra da árvore
só contemplando, sentados

O medo do gesto
do desconhecido, do oculto
daquilo que está para além
de isto tudo
para lá só existe
aquilo que conhecem
os que mergulham
em suas águas
a coragem
que em nós fenece.

De quem olha para a
porta
com coragem,
vencendo o medo,
a abre, mergulha
na penumbra.

Atrás de si
ela se fecha
Ocultando seus segredos
em silêncio
as águas em breu
guardam
o segredo

Para quem permanece
fica um silêncio
sentado...
definhando, morrendo
aguardando o impulso último...
impulso que nunca chega!

Uma porta
um medo sentado
e o silêncio
de uma desafiadora porta
imóvel
no ar
só se ouve
silêncio!

[ eu por mim permaneço sentado ]



em resposta ao josé luís peixoto

N:d:N:s:d:

domingo, 7 de março de 2010

O menino, as águas e um rio




Foi no Tua
que ele se entregou
às águas do rio
onde ele se rendeu
ainda um menino
seu corpo morreu

mergulhou no rio
o seu mergulho último
nas águas de um rio
entregando-se
todo se entregando
desejando
de novo o útero

Foi no Tua
seu mergulho último
de um spírito ausente
nas águas de um rio
morreu-nos aí
ficou o corpo de um menino !





n:D:n:S:d

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VitΔ Cruςis

AMOR
LIBERTAÇÃO
“SER” ausência
DESPOJAMENTO
ILUSÃO
sublimação – moral – pudor +++ REALIDADE +++ tentação – instinto – paixão
DOR
SOFRIMENTO
ABANDONO
MEDO
MORTE