sexta-feira, 4 de junho de 2010

Viajante ∆mortalhadΩ




Alguma coisa, alguém, um espectro qualquer perseguia-nos a todos através do deserto da vida e ia apoderando-se de nós, impreterivelmente, antes de alcançarmos o paraíso. Naturalmente, agora, que volto a pensar nessa questão, trata-se da morte: a morte há-de surpreender-nos antes do paraíso. A única coisa que ansiamos durante a nossa existência, que nos faz suspirar e gemer e sofrer toda a espécie de náuseas melífluas, é a reminiscência de uma qualquer felicidade perdida que provavelmente experimentámos no ventre materno e que só pode ser reproduzida (embora detestemos reconhecer isso) na morte. Mas quem é que quer morrer?
k e r o u a c

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Por Quinze Segundos






Acordei, quando o sol começava a ficar vermelho, e essa foi uma ocasião única na minha vida, o momento mais estranho de todos, em que deixei de saber quem era – estava longe de casa, obcecado e cansado da viagem, num quarto de hotel barato que não conhecia, a ouvir o silvo do vapor lá fora e os estalidos da madeira velha do hotel e passos no andar de cima e todos aqueles barulhos tristes, e olhei para o tecto alto com fendas e, durante cerca de quinze estranhos segundos, perdi realmente a noção de quem era. Não estava assustado; era simplesmente outra pessoa, um desconhecido qualquer, e toda a minha vida era uma assombração, era a vida de um fantasma. Encontrava-me no meio da América, na linha divisória entre o Este da minha juventude e o Oeste do meu futuro, e talvez fosse por esse motivo que tal me aconteceu ali e nesse momento, naquela estranha tarde vermelha.

k e r o u a c

terça-feira, 25 de maio de 2010

Aaaah!




« Precipitavam-se pela rua fora, topando tudo no modo peculiar que tinham de início e que, muito tempo depois, se tornou mais triste, perceptivo e inexpressivo. Mas nessa altura dançavam pelas ruas fora, quais fantoches febris, e eu trotava atrás deles, como toda a vida fiz no encalço das pessoas que me interessam, porque as únicas pessoas autênticas, para mim, são loucas, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, as que não bocejam nem dizem nenhum lugar-comum, mas ardem, ardem, ardem como fabulosas grinaldas amarelas de fogo-de-artifício a explodir, semelhantes a aranhas, através das estrelas e, no meio, vê-se o clarão azul a estourar e toda a gente exclama « Aaaah! ». Que nome davam a este tipo de jovens na Alemanha de Goethe ? »

Jack Kerouac – Pela Estrada Fora.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

sábado, 8 de maio de 2010

dorme sombra na penumbra


Spíritos em ausência de si
o contrário, sim, seria algo de novo
refrescante... novo
Por ora, mofo ... corpos ausentes
Spíritos dormentes, morrentes
Só mortos...só morte
em alvas campas... guardando
o negrume
a negritude negra
A NEGRA.

A si se pensam vivos
mas já estão mortos
... morreram ...
aguardam só confirmação
no suspiro último
de um sorriso ausente.
semblantes em agonia
percebendo que sempre estiveram
... mortos ...

Não sorriem
não Partem a sorrir
porque não partem sequer
estão já jacentes nas alvas
campas tumulares

Morreram
sorriso ausente
Morrem
pela ausente
razão
para
SORRIR


N:d:N:s:D

terça-feira, 27 de abril de 2010

W I L D




“Two years he walks the earth. No phone, no pool, no pets, no cigarettes. Ultimate freedom. An extremist. An aesthetic voyager whose home is the road. Escaped from Atlanta. Thou shalt not return, 'cause "the West is the best." And now after two rambling years comes the final and greatest adventure. The climactic battle to kill the false being within and victoriously conclude the spiritual pilgrimage. Ten days and nights of freight trains and hitchhiking bring him to the Great White North. No longer to be poisoned by civilization he flees, and walks alone upon the land to become lost in the wild”

¤

Alexander Supertramp May 1992

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Long Nights



Have no fear
For when I'm alone
I'll be better off than I was before

I've got this light
I'll be around to grow
Who I was before
I cannot recall

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground
Ah...

I'll take this soul that's inside me now
Like a brand new friend
I'll forever know

I've got this light
And the will to show
I will always be better than before

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground




Eddie Vedder (Into the Wild)