quarta-feira, 23 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
d o u t r i n a r
quinta-feira, 17 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Viajante ∆mortalhadΩ

Alguma coisa, alguém, um espectro qualquer perseguia-nos a todos através do deserto da vida e ia apoderando-se de nós, impreterivelmente, antes de alcançarmos o paraíso. Naturalmente, agora, que volto a pensar nessa questão, trata-se da morte: a morte há-de surpreender-nos antes do paraíso. A única coisa que ansiamos durante a nossa existência, que nos faz suspirar e gemer e sofrer toda a espécie de náuseas melífluas, é a reminiscência de uma qualquer felicidade perdida que provavelmente experimentámos no ventre materno e que só pode ser reproduzida (embora detestemos reconhecer isso) na morte. Mas quem é que quer morrer?
k e r o u a c
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
Por Quinze Segundos

Acordei, quando o sol começava a ficar vermelho, e essa foi uma ocasião única na minha vida, o momento mais estranho de todos, em que deixei de saber quem era – estava longe de casa, obcecado e cansado da viagem, num quarto de hotel barato que não conhecia, a ouvir o silvo do vapor lá fora e os estalidos da madeira velha do hotel e passos no andar de cima e todos aqueles barulhos tristes, e olhei para o tecto alto com fendas e, durante cerca de quinze estranhos segundos, perdi realmente a noção de quem era. Não estava assustado; era simplesmente outra pessoa, um desconhecido qualquer, e toda a minha vida era uma assombração, era a vida de um fantasma. Encontrava-me no meio da América, na linha divisória entre o Este da minha juventude e o Oeste do meu futuro, e talvez fosse por esse motivo que tal me aconteceu ali e nesse momento, naquela estranha tarde vermelha.
k e r o u a c
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terça-feira, 25 de maio de 2010
Aaaah!

« Precipitavam-se pela rua fora, topando tudo no modo peculiar que tinham de início e que, muito tempo depois, se tornou mais triste, perceptivo e inexpressivo. Mas nessa altura dançavam pelas ruas fora, quais fantoches febris, e eu trotava atrás deles, como toda a vida fiz no encalço das pessoas que me interessam, porque as únicas pessoas autênticas, para mim, são loucas, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, as que não bocejam nem dizem nenhum lugar-comum, mas ardem, ardem, ardem como fabulosas grinaldas amarelas de fogo-de-artifício a explodir, semelhantes a aranhas, através das estrelas e, no meio, vê-se o clarão azul a estourar e toda a gente exclama « Aaaah! ». Que nome davam a este tipo de jovens na Alemanha de Goethe ? »
Jack Kerouac – Pela Estrada Fora.
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
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