quinta-feira, 22 de julho de 2010

x v .


1 5 .

Conquistei, palmo a pequeno palmo,
o terreno interior que nascera meu.
Reclamei, espaço a pequeno espaço,
o pântano em que me quedara nulo.
Pari meu ser infinito,
mas tirei-me a ferros de mim mesmo.
*
*
b e r n a r d o s o a r e s

quinta-feira, 15 de julho de 2010

SÊ DIFERENTE





A Tudo
Te torna
Indiferente.

Passa por entre a multidão,
como vento
[omnisciente]
que nada sente.


(algo de Bernardo Soares, num rótulo de 7up)


3 7 2.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

LUC∆S 7 - 28



« Digo-vos: Entre os nascidos de mulher não há profeta maior do que João »

domingo, 20 de junho de 2010

d o u t r i n a r



Aprendi a não tentar convencer ninguém.

O trabalho de convencer é uma falta de respeito,

é uma tentativa de colonização do outro.


s a r a m a g o

quinta-feira, 17 de junho de 2010

SALMʘ




Bendito seja o Senhor, meu rochedo,

que adestra as minhas mãos para a batalha

e os meus dedos para a guerra.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Viajante ∆mortalhadΩ




Alguma coisa, alguém, um espectro qualquer perseguia-nos a todos através do deserto da vida e ia apoderando-se de nós, impreterivelmente, antes de alcançarmos o paraíso. Naturalmente, agora, que volto a pensar nessa questão, trata-se da morte: a morte há-de surpreender-nos antes do paraíso. A única coisa que ansiamos durante a nossa existência, que nos faz suspirar e gemer e sofrer toda a espécie de náuseas melífluas, é a reminiscência de uma qualquer felicidade perdida que provavelmente experimentámos no ventre materno e que só pode ser reproduzida (embora detestemos reconhecer isso) na morte. Mas quem é que quer morrer?
k e r o u a c

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Por Quinze Segundos






Acordei, quando o sol começava a ficar vermelho, e essa foi uma ocasião única na minha vida, o momento mais estranho de todos, em que deixei de saber quem era – estava longe de casa, obcecado e cansado da viagem, num quarto de hotel barato que não conhecia, a ouvir o silvo do vapor lá fora e os estalidos da madeira velha do hotel e passos no andar de cima e todos aqueles barulhos tristes, e olhei para o tecto alto com fendas e, durante cerca de quinze estranhos segundos, perdi realmente a noção de quem era. Não estava assustado; era simplesmente outra pessoa, um desconhecido qualquer, e toda a minha vida era uma assombração, era a vida de um fantasma. Encontrava-me no meio da América, na linha divisória entre o Este da minha juventude e o Oeste do meu futuro, e talvez fosse por esse motivo que tal me aconteceu ali e nesse momento, naquela estranha tarde vermelha.

k e r o u a c