terça-feira, 21 de dezembro de 2010

dOrMe





Dorme, mãe Pátria, nula e postergada

E, se um sonho de esperança te surgir,

Não creias nele, porque tudo é nada,

E nunca vem aquilo que há-de vir.


P E S S O A

terça-feira, 30 de novembro de 2010

F Á T U O



Tudo parece
Tudo assemelha
a inverno marfim
! perece útero do inferno !

Labaredas frias
fátuas finais

Luz que brilha
baça
luz que sussurra
frio SEGREDO seu

Luz que queima
(expiando)
improváveis pecados

Em vida
vividos todos os factos
fátuos fatais
(os paro a todos)
alheios
bastardos meus.

3 7 2 .

domingo, 28 de novembro de 2010

3 3 7 .



O que tenho sobretudo é cansaço, e aquele desassossego que é gémeo do
cansaço quando este não tem outra razão de ser senão o estar sendo. Tenho um
receio íntimo dos gestos a esboçar, uma timidez intelectual das palavras a dizer.
Tudo me parece antecipadamente fruste. O insuportável tédio de todas estas caras,
alvares de inteligência ou de falta dela, grotescas até à náusea de felizes ou
infelizes, horrorosas porque existem, maré separada de coisas vivas que me são
alheias...


bernardo s. o livro

sábado, 20 de novembro de 2010

Δ C^S^




Nunca encontrei o abrigo que ainda procuro, uma mão que me feche no seu interior e me guarde no bolso de dentro do casaco, paredes que me digam com veludo: descansa, menino. Mas procuro, contínuo, como se acreditasse que vou encontrar.


j l p

terça-feira, 16 de novembro de 2010

HΘR∆ meia



HΘR∆ meia

só meia hora falta
para me pôr de partida…
para de partida me pôr
falta hora meia.

hora que é só meia
não inteira
por inteira, ela não me interessar.

só a quero meia
para a calçar
e em abalada me lançar…


A@N

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

[ . . . ]




[ . . . ]

hoje
Menina!
...
em que ela,
que a menina
não dançou.
Subtilmente
não reordenou
o Universo.

...

dispersos
errantes
meus sólidos sentimentos
esféricos
em
interno firmamento.

...

Cinzento

cinzento.
O
vazio.

cinza
Menina!


. . . mas tu disto nada sabes . . .
. . . não o sabes . . .



[ . . . ]

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

C A L




A tua avó, coberta pelo silêncio,
Olha para ti, atravessa o tempo,
E segue os passos que dás.


No seu rosto, és ainda a criança
Que brinca no quintal, que correu pelas ruas
E que tem de proteger.
Naquela idade em que a memória te acompanha
As avós esperam, feitas de ternura,
Têm colo para dar.


Elas conhecem os caminhos que nasceram antes de ti
E adormecem sozinhas, cismam nos dias que não têm fim
Sentem as veias nas mãos, cumprem os seus rituais,
Lembram um mundo só delas, existem por detrás da cal.


Sem terem mal


Chegará um dia em que o silêncio encontrará
O tempo, o teu rosto
Por detrás da cal

jppais