terça-feira, 4 de janeiro de 2011



a vida é um sonho, pensou. A morte é o despertar.
passamos um universo inteiro a flutuar no vácuo da não existência.
a vida é a anomalia, a morte é o regresso ao estado original; a vida é um sopro e a morte é o ar.


j r s a n t o s

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

dOrMe





Dorme, mãe Pátria, nula e postergada

E, se um sonho de esperança te surgir,

Não creias nele, porque tudo é nada,

E nunca vem aquilo que há-de vir.


P E S S O A

terça-feira, 30 de novembro de 2010

F Á T U O



Tudo parece
Tudo assemelha
a inverno marfim
! perece útero do inferno !

Labaredas frias
fátuas finais

Luz que brilha
baça
luz que sussurra
frio SEGREDO seu

Luz que queima
(expiando)
improváveis pecados

Em vida
vividos todos os factos
fátuos fatais
(os paro a todos)
alheios
bastardos meus.

3 7 2 .

domingo, 28 de novembro de 2010

3 3 7 .



O que tenho sobretudo é cansaço, e aquele desassossego que é gémeo do
cansaço quando este não tem outra razão de ser senão o estar sendo. Tenho um
receio íntimo dos gestos a esboçar, uma timidez intelectual das palavras a dizer.
Tudo me parece antecipadamente fruste. O insuportável tédio de todas estas caras,
alvares de inteligência ou de falta dela, grotescas até à náusea de felizes ou
infelizes, horrorosas porque existem, maré separada de coisas vivas que me são
alheias...


bernardo s. o livro

sábado, 20 de novembro de 2010

Δ C^S^




Nunca encontrei o abrigo que ainda procuro, uma mão que me feche no seu interior e me guarde no bolso de dentro do casaco, paredes que me digam com veludo: descansa, menino. Mas procuro, contínuo, como se acreditasse que vou encontrar.


j l p

terça-feira, 16 de novembro de 2010

HΘR∆ meia



HΘR∆ meia

só meia hora falta
para me pôr de partida…
para de partida me pôr
falta hora meia.

hora que é só meia
não inteira
por inteira, ela não me interessar.

só a quero meia
para a calçar
e em abalada me lançar…


A@N

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

[ . . . ]




[ . . . ]

hoje
Menina!
...
em que ela,
que a menina
não dançou.
Subtilmente
não reordenou
o Universo.

...

dispersos
errantes
meus sólidos sentimentos
esféricos
em
interno firmamento.

...

Cinzento

cinzento.
O
vazio.

cinza
Menina!


. . . mas tu disto nada sabes . . .
. . . não o sabes . . .



[ . . . ]