
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
I N T E R V A L O
Antefalhei a vida, porque nem sonhando-a ela me apareceu deleitosa.
Chegou até mim o cansaço dos sonhos... Tive ao senti-lo uma sensação
externa e falsa, como a de ter chegado ao término de uma estrada infinita.
Transbordei de mim não sei para onde, e aí fiquei estagnado e inútil. Sou qualquer
coisa que fui. Não me encontro onde me sinto e se me procuro, não sei quem é que
me procura. Um tédio a tudo amolece-me.
Sinto-me expulso da minha alma.
Assisto a mim. Presenceio-me. As minhas sensações passam diante de não
sei que olhar meu como coisas externas. Aborreço-me de mim em tudo. Todas as
coisas são, até às suas raízes de mistério, da cor do meu aborrecimento.
Estavam já murchas as flores que as Horas me entregaram. A minha única
acção possível é vê-las desfolhando lentamente. E isso é tão complexo de
envelhecimentos!
A mínima acção é-me dolorosas como uma heroicidade. O mais pequeno
gesto pesa-me no ideá-lo, como se foras uma coisa que eu realmente pensasse em
fazer.
Não aspiro a nada. Dói-me a vida. Estou mal onde estou e já mal onde penso
em poder estar.
O ideal era não ter mais acção do que a acção falsa de um repuxo – subir para
cair no mesmo sítio, brilho ao sol sem utilidade nenhuma a fazer som no silêncio da
noite para que quem sonhe pense em rios no seu sonho e sorria esquecidamente.
Chegou até mim o cansaço dos sonhos... Tive ao senti-lo uma sensação
externa e falsa, como a de ter chegado ao término de uma estrada infinita.
Transbordei de mim não sei para onde, e aí fiquei estagnado e inútil. Sou qualquer
coisa que fui. Não me encontro onde me sinto e se me procuro, não sei quem é que
me procura. Um tédio a tudo amolece-me.
Sinto-me expulso da minha alma.
Assisto a mim. Presenceio-me. As minhas sensações passam diante de não
sei que olhar meu como coisas externas. Aborreço-me de mim em tudo. Todas as
coisas são, até às suas raízes de mistério, da cor do meu aborrecimento.
Estavam já murchas as flores que as Horas me entregaram. A minha única
acção possível é vê-las desfolhando lentamente. E isso é tão complexo de
envelhecimentos!
A mínima acção é-me dolorosas como uma heroicidade. O mais pequeno
gesto pesa-me no ideá-lo, como se foras uma coisa que eu realmente pensasse em
fazer.
Não aspiro a nada. Dói-me a vida. Estou mal onde estou e já mal onde penso
em poder estar.
O ideal era não ter mais acção do que a acção falsa de um repuxo – subir para
cair no mesmo sítio, brilho ao sol sem utilidade nenhuma a fazer som no silêncio da
noite para que quem sonhe pense em rios no seu sonho e sorria esquecidamente.
*
o livro - b. soares
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Perfeita vacuidade
Pego na caneta
Para isto escrever
Pura inutilidade
Sucessão vácua de palavras
As que aqui ficam
Do princípio
Até ao
fim
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Absurdo Nítido
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
inquietação

Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem consequência,
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...
a.campos
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Fernando Pessoa
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
dOrMe

Dorme, mãe Pátria, nula e postergada
E, se um sonho de esperança te surgir,
Não creias nele, porque tudo é nada,
E nunca vem aquilo que há-de vir.
P E S S O A
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Fernando Pessoa
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