terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

[in] P e r m a n ê n c i a




Tomada pelo perfil
sombras de presenças ausentes
vida que és
em luz tremeluzente
afasta teu corpo [...]
teu spírito presente

sinais símbolos
de intermitente desassossego
quero apenas aconchego
da vida
nua
sossego!

Lux tremula suave
apaga de mim a saudade
cala hinos de saudade
lux tremula suave
eterna
A permanente!


3 4 6.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

eStoiro e eSpumo




um dia
eSpero
tornar-me
onda

rebenta
eStoira
contra rochedo
eSpuma

e

volta sempre
ao mar
volta
a
ser
Mar


à
r*o*s*a

3 4 6 .

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

á r v o r e



habitam no seu peito
medonhas criaturas que
lhe devoram as entranhas
são como máquinas
inquietas e estridentes

angustiado

crava as unhas no peito
abre-o com ardor
de lá uma pequena árvore sai
suas pequenas raízes
logo se apressam a agarrar
a terra macia
ele alimenta-a depois
ali sentado regando-a sempre
sempre que sente seus lábios secarem

tempo passa

depressa se torna uma árvore
uma árvore como já teve
frondosa e carregada de frutos
agora paciente resta-lhe esperar
esperar por Ela
que venha colher
os frutos renovados

bruno m. b. rodrigues

Requiem Absurduum




Absurdamente
me ocorre
pensar
“ a vida eu sinto “

lá ela pode
[A Obscena]
dar tal
coisa . . .
nada “É”

O Tudo
foi . . . é . . . possíbilidade

Que âncora
nos tem
Tudo isto . . .

N E N H U M A

Fui . . . sou . . . serei
Absurdo
Vagalume.


[em reverência, Sr. Ninja]

8 3 6 .

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

I N T E R V A L O



1 8 2 .
Antefalhei a vida, porque nem sonhando-a ela me apareceu deleitosa.
Chegou até mim o cansaço dos sonhos... Tive ao senti-lo uma sensação
externa e falsa, como a de ter chegado ao término de uma estrada infinita.
Transbordei de mim não sei para onde, e aí fiquei estagnado e inútil. Sou qualquer
coisa que fui. Não me encontro onde me sinto e se me procuro, não sei quem é que
me procura. Um tédio a tudo amolece-me.
Sinto-me expulso da minha alma.
Assisto a mim. Presenceio-me. As minhas sensações passam diante de não
sei que olhar meu como coisas externas. Aborreço-me de mim em tudo. Todas as
coisas são, até às suas raízes de mistério, da cor do meu aborrecimento.
Estavam já murchas as flores que as Horas me entregaram. A minha única
acção possível é vê-las desfolhando lentamente. E isso é tão complexo de
envelhecimentos!
A mínima acção é-me dolorosas como uma heroicidade. O mais pequeno
gesto pesa-me no ideá-lo, como se foras uma coisa que eu realmente pensasse em
fazer.
Não aspiro a nada. Dói-me a vida. Estou mal onde estou e já mal onde penso
em poder estar.
O ideal era não ter mais acção do que a acção falsa de um repuxo – subir para
cair no mesmo sítio, brilho ao sol sem utilidade nenhuma a fazer som no silêncio da
noite para que quem sonhe pense em rios no seu sonho e sorria esquecidamente.
*
o livro - b. soares

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Olhar - me



Olhar-me

A divagar
Para lado nenhum
Sonho
Paradamente quieto

Navio ancorado (amarrado por atado)
Devorando-me já ferrugem
Com tanto mar
Mar tanto
Todo o mar
Para navegar
Que
Moribundo
Me sonho
Sulcando



2 1 1 .