quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Sorriso Enorme !






32.

Sinfonia de uma noite inquieta

Dormia tudo como se o universo fosse um erro; e o vento, flutuando incerto era
uma bandeira sem forma desfraldada sobre um quartel sem ser.
Esfarrapava-se coisa nenhuma no ar alto e forte, e os caixilhos das janelas
sacudiam os vidros para que a extremidade se ouvisse. No fundo de tudo, calada, a
noite era o túmulo de Deus (a alma sofria com pena de Deus).
E, de repente - nova ordem das coisas universais agia sobre a cidade -, o vento
assobiava no intervalo do vento, e havia uma noção dormida de muitas agitações na
altura. Depois a noite fechava-se como um alçapão, e um grande sossego fazia
vontade de ter estado a dormir.

b. soares

( ao maior que ela, o SORRISO da m. c. )

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Δ n i v e r s á r i Θ




No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


álvaro de campos

domingo, 12 de junho de 2011

non nobis





cavaleiros da Ordem
não seriam mais de vinte
na terra seca
ouvem-se os cascos

no vento fresco
os gritos do inimigo
não seriam mais de trinta
os ditos infiéis

galopes secos
gritos ferozes
ecoam pela planície
aproximam-se as duas frentes
chovem já flechas e lanças
do lado da Cruz

pontas afiadas como diamante
penetram a malha de aço
enterram-se nas carnes
corpos rendem-se ao chão

colide a cavalaria
e o som
como dois trovões
que explodem ao se tocarem

lâminas cortam
o ar pesado
capacetes desfeitos
crânios são abertos
gritos
a constatação da dor

corpos dilacerados
enfeitam o descampado
de flechas cravadas nos peitos
são como flores
são flores da morte
que dos peitos brotam


bruno m. b. rodrigues

quarta-feira, 13 de abril de 2011

▲ Z u L



Reflecte toda a nossa vida

Aumenta o maior dos sonhos

À procura de um futuro

Que não vem nos jornais.

E assim dá uma nova vida

A um gato que já gastou sete

Ninguém vê a luz no túnel

Sem guardar a cor do mar

A cor azul O Céu do Mundo

Uma luz pra nos salvar…

Não importa sol ou sombra

Não importa o preto ou branco

Que os meus sonhos são às cores

Todas juntas numa só azul

A cor azul O Céu do Mundo

Uma luz pra nos salvar…

A cor azul Vai-nos salvar…

Vai-nos guiar, iluminar…

Quero ver o teu olhar azul

A brilhar no meu caminho

Quero ver o teu sorriso azul

Quero ser o teu golfinho…


DeLfInS - ▲ cOr ▲zUl

quinta-feira, 7 de abril de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011



137.

... a hiperacuidade não sei se das sensações, se da só expressão delas, ou se,
mais propriamente, da inteligência que está entre umas e outra e forma do propósito
de exprimir a emoção fictícia que existe só para ser expressa. (Talvez não seja mais
em mim que a máquina de revelar quem não sou.)
*
b. soares