segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ΣΜΘÇÄΘ





A emoção

elevada ao expoente

excesso,

despe todo

o humano

Eu . . .



θΝΤθζ





sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ΤΣΜΡΘ




No Tempo

escreve-se

como

se lavra

na terra . . .



θΝΤθζ



domingo, 16 de outubro de 2011

o nosso livro







 

Livro do meu amor, do teu amor,

Livro do nosso amor, do nosso peito...

Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,

Como se fossem pétalas de flor.



Olha que eu outro já não sei compor

Mais santamente triste, mais perfeito.

Não esfolhes os lírios com que é feito

Que outros não tenho em meu jardim de dor!



Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!

Num sorriso tu dizes e digo eu:

Versos só nossos mas que lindos sois!



Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente

Dirá, fechando o livro docemente:

"Versos só nossos, só de nós os dois!..."
 
 
florbela de alma
 
 
 

o teu livro







 


Li o teu livro, Amor, sofregamente;

Li-o, e nele em vão me procurei!

No teu livro d'amor não me encontrei,

Tendo lá encontrado toda a gente.



Um livro é a nossa alma, nunca mente!

Um livro somos nós, eu bem o sei...

E se em teus lindos versos não me achei

É que a tua alma nem sequer me sente!



As rosas do teu livro! As tuas rosas!

Rubros beijos de bocas mentirosas,

Desfolhastes por todas as mulheres!



Mas deixa, meu Amor, mesmo pisadas,

As tuas lindas rosas desfolhadas

Eu apanho-as do chão, se tu quiseres...
 
 
florbel de alma
 
 

sábado, 15 de outubro de 2011

Ν Λ Đ Λ







Agora compreendia: as coisas são inteiramente o que parecem - e por trás delas . . . não há nada.


jean-paul sartre

terça-feira, 11 de outubro de 2011

╬ P R Є C Є ╬










Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está - (o teu templo) - eis o teu corpo.

Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.

Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.

[...]

Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.

Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.

Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.






Fernando Pessoa










quinta-feira, 6 de outubro de 2011

VenenΦ






Mostrar cólera e ódio nas palavras ou no semblante é inútil, perigoso, imprudente, ridículo e comum. Não devemos mostrar a nossa cólera ou o nosso ódio senão por meio de actos; e estes podem ser praticados tanto mais perfeitamente quanto mais perfeitamente tivermos evitado os primeiros. Os animais de sangue frio são os únicos que têm veneno.




Schopenhauer