domingo, 6 de novembro de 2011

ραĽανřα




A fragilidade da palavra torna-lhe indiferente a alma . . .


θΝΤθζ



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Se Depois de Eu Morrer, Quiserem Escrever a Minha Biografia







 

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples

Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.



Sou fácil de definir.

Vi como um danado.

Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.

Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.

Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.

Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;

Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.

Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.



Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.

Fechei os olhos e dormi.

Além disso, fui o único poeta da Natureza.



alberto caeiro
 
 
 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

ΝΘ ĿΔGΘ ĐΘ BRΞU



 





No Lago do breu

Sem luzes no céu

Nem bom Deus

Que venha abrasar

Os ateus

No Lago do Breu



No Lago do breu

A noite não vem

Sem sinais

Que fazem tremer

Os mortais

No Lago do breu



Mas quem não for mau

Não vá

Que o céu não se compra


Não vejo razão

Pra ser

Quem teme e não quer

Viver

Sem luzes no céu

Só mesmo como eu

No Lago do breu



No Lago do breu

os dedos da noite

vão juntos para amortalhar

os defuntos

no Lago do breu



No Lago do breu

A lua nasceu

Mas ninguém

Pergunta quem vai

Ou quem vem

No Lago do Breu



Mas quem não for mau

Não vá

Que o céu não se compra


Não vejo razão

Pra ser

Quem teme e não quer viver

Sem luzes no céu

Só mesmo como eu

No Lago do breu



No Lago do breu

Meninas perdidas

Eu sei

Mas só nestas vidas

Me achei

No Lago do Breu



Mas quem não for mau

Não vá

Que o céu não se compra


Não vejo razão

Pra ser

Quem teme e não quer

Viver

Sem luzes no céu

Só mesmo como eu

No Lago do breu



josé afonso



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ΣΜΘÇÄΘ





A emoção

elevada ao expoente

excesso,

despe todo

o humano

Eu . . .



θΝΤθζ





sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ΤΣΜΡΘ




No Tempo

escreve-se

como

se lavra

na terra . . .



θΝΤθζ



domingo, 16 de outubro de 2011

o nosso livro







 

Livro do meu amor, do teu amor,

Livro do nosso amor, do nosso peito...

Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,

Como se fossem pétalas de flor.



Olha que eu outro já não sei compor

Mais santamente triste, mais perfeito.

Não esfolhes os lírios com que é feito

Que outros não tenho em meu jardim de dor!



Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!

Num sorriso tu dizes e digo eu:

Versos só nossos mas que lindos sois!



Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente

Dirá, fechando o livro docemente:

"Versos só nossos, só de nós os dois!..."
 
 
florbela de alma
 
 
 

o teu livro







 


Li o teu livro, Amor, sofregamente;

Li-o, e nele em vão me procurei!

No teu livro d'amor não me encontrei,

Tendo lá encontrado toda a gente.



Um livro é a nossa alma, nunca mente!

Um livro somos nós, eu bem o sei...

E se em teus lindos versos não me achei

É que a tua alma nem sequer me sente!



As rosas do teu livro! As tuas rosas!

Rubros beijos de bocas mentirosas,

Desfolhastes por todas as mulheres!



Mas deixa, meu Amor, mesmo pisadas,

As tuas lindas rosas desfolhadas

Eu apanho-as do chão, se tu quiseres...
 
 
florbel de alma