quinta-feira, 23 de agosto de 2012

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Ao teu ouvido . . .

Meu murmúrio . . .

“ a m o – t e ”. . .

Sussurro

amo-te “. . .

Suave. . .

No coração

De meu amor . . .

Que o sabe !



Nd
nSd
     

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Θ Guardador de Palavras










Sou refúgio

de palavras

em mim



Abrigo seu

da perseguição

da culta ortografia

autoridade de uma [da]nação qualquer



Eu

por imperativo

de um natural

Anarquismo dos Sentidos

as aceitei



Sou eu

que oculto

estas palavras

estas marginais

Palavras

As incultas

sim

as oculto



porque, egoísta, penso

que se lhes der som entoação vibração

se tornarão cultas



Penso

que as palavras

Incultas

Só existem

Quando

Estão

Guardadas

Profundamente

Em

mim







nD

Ns

D




domingo, 22 de julho de 2012

senhor nevoeiro






perdido


e por todos abandonado


calcorreia as serras

ao descer ao sopé de mais uma

vira-se para a contemplar


uma última vez


e vê


como uma mão que envolve


o alto em forma de concha






o senhor nevoeiro






descendo a serra


no seu encalço


até ao seu encontro






o errante


de hambres farto


tira-lhe o partido


e


cortando um naco


sacia sua fome


com um bife de nevoeiro


mais cru que a própria solidão

 
 
bruno m. b. rodrigues


sábado, 21 de julho de 2012

iN mEmOrIaM








Tu ne quaesieris—scire nefas—quem mihi, quem tibi

finem di dederint, Leuconoë, nec Babylonios

temptaris numeros. ut melius, quicquid erit, pati!

seu plures hiemes, seu tribuit Iuppiter ultimam,

quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare

Tyrhenum. Sapias, vina liques, et spatio brevi

spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida

aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.



Quintus Horatius Flaccus
 
 
 
 

terça-feira, 17 de julho de 2012

ЅΔLΠΘ 144










Salmo de David





Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra as minhas mãos para a peleja e os meus dedos para a guerra;


meu refúgio e minha fortaleza, meu alto retiro e meu libertador, escudo meu, em quem me refugio.
 
 
 
 
 

sábado, 14 de julho de 2012

ΣRΘS Є ΡSΐQUЄ










Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada

A quem só despertaria

Um Infante, que viria

De além do muro da estrada.



Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,

Antes que, já libertado,

Deixasse o caminho errado

Por o que à Princesa vem.



A Princesa Adormecida,

Se espera, dormindo espera,

Sonha em morte a sua vida,

E orna-lhe a fronte esquecida,

Verde, uma grinalda de hera.



Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,

Rompe o caminho fadado,

Ele dela é ignorado,

Ela para ele é ninguém.



Mas cada um cumpre o Destino

Ela dormindo encantada,

Ele buscando-a sem tino

Pelo processo divino

Que faz existir a estrada.



E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada fora,

E falso, ele vem seguro,

E vencendo estrada e muro,

Chega onde em sono ela mora,



E, inda tonto do que houvera,

À cabeça, em maresia,

Ergue a mão, e encontra hera,

E vê que ele mesmo era

A Princesa que dormia.





F P


 

terça-feira, 24 de abril de 2012

o poema



posso começar?

chama-se o poema


o poema

e é sobre

um poema

que foi pensado

há muito

muito tempo atrás


antes até

do próprio tempo


antes até de este


ter sido pensado


é um poema antigo


mais antigo


do que o próprio tempo


e o tempo


é bem antigo


mais antigo do que


as coisas todas


todas as coisas do mundo


sim este poema


fala do tempo


porque o tempo


pode ser um poema


o poema


mais antigo do que


todas as coisas do mundo
 
 
 
bruno m. b. rodrigues