Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar...
E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar...
Se a corda se parte um dia
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada...
Cá por mim não mudo a corda,
Seria grande estopada...
Se o indez morre, deixá-lo...
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca...
Deixá-loBalouçar-se enquanto vive...
Mudar a corda era fácil...
Tal ideia nunca tive...
Mário de Sá-Carneiro
domingo, 6 de abril de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
HINO
E caminho sobre abismos de amargura,
Nada temo porque a Luz está comigo.
Se me colhe a tempestade
E Jesus vai a dormir na minha barca,
Nada temo porque a Paz está comigo.
Se me perco no deserto
E de sede me consumo e desfaleço,
Nada temo porque a Fonte está comigo.
Se os descrentes me insultarem
E se os ímpios mortalmente me odiarem,
Nada temo porque a Vida está comigo.
Se os amigos me deixarem
Em caminhos de miséria e orfandade,
Nada temo porque o Pai está comigo.
Se me envolve a noite escura
E caminho sobre abismos de amargura,
Nada temo porque a Luz está comigo.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Portugal Místico
« Para ser grande, sê inteiro:
nada teu exagera ou exclui.
Sê tudo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes. »
nada teu exagera ou exclui.
Sê tudo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes. »
Ricardo Reis
quarta-feira, 26 de março de 2008
Mário de Sá-Carneiro - O Amigo
Excertos - Fernando Pessoa
quarta-feira, 19 de março de 2008
Irmãos e Um só Pai
Pai Nosso, que estais no Céu;
santificado seja o Vosso nome;
venha a nós o Vosso reino;
seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Amen.
terça-feira, 18 de março de 2008
INICIAÇÃO
Não dormes sob os ciprestes,Pois não há sono no mundo.
......
O corpo é a sombra das vestesQue encobrem teu ser profundo.Vem a noite, que é a morteE a sombra acabou sem ser.Vais na noite só recorte,Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do AssombroTiram-te os Anjos a capa.Segues sem capa no ombro,Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da EstradaDespem-te e deixam-te nu.Não tens vestes, não tens nada:Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,Os Deuses despem-te mais.Teu corpo cessa, alma externa,Mas vês que são teus iguais.
......
A sombra das tuas vestesFicou entre nós na Sorte.Não estás morto, entre ciprestes.
......
Neófito, não há morte.
Fernando Pessoa
segunda-feira, 17 de março de 2008
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