quarta-feira, 8 de maio de 2013

In memoriaM









Ao meu morto querido


Na cidade de Assis, Il Poverello
Santo, três vezes santo, andou pregando
Que o sol, a terra, a flor, o rocio brando,
Da pobreza o tristíssimo flagelo,

Tudo quanto há de vil, quanto há de belo,
Tudo era nosso irmão! - E assim sonhando,
Pelas estradas da Umbria foi forjando
Da cadeia do amor o maior elo!

“Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água…”
Ah! Poverello! Em mim, essa lição
Perdeu-se como vela em mar de mágoa

Batida por furiosos vendavais!
- Eu fui na vida a irmã de um só irmão,
E já não sou a irmã de ninguém mais!



florbela de alma



sábado, 27 de abril de 2013

momentum










entornada no solo,
dormente,
são vitais
os únicos sinais
que se te distinguem,
és uma massa indefinida
e viva, respiras e pulsas
sim, não és pedra
mas estás fria



bruno m rodrigues

a árvore




segunda-feira, 1 de abril de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

circunferenciar.se






apetece fazer aquilo que não sei que “aquilo” me apetece fazer          
θΝΤθζ
 
 
 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

[ es ] fumar.Te





 


Inalar

[a] Vida

Como um Cigarro

Sofrega [mente]

o aceso prazer. . .



Efémero

Instante

[momento não chega a ser]

esfuma-se

no seu fumo

[baço]



Vida !

de perfil altivo

oblíqua

de querer latente

ser

eterna

latentemente . . .

mentirosa [mente]...

Vá ! Mente !



Enganadora

fumo.feitiço.veneno

sentindo [te]

[o] desprezo

=presente=

parasitar

o [teu] prazer

Inalar.te

=instante=

Exalar.te

=instante=

para fora

ex.de.mim

Fora!

Sai de mim.



[até à dor-doloroso instante de te ter, cigarro, pela frente]



ΔKHEnatƱm
 
 

sábado, 5 de janeiro de 2013

cá no alto tudo normal










no alto das árvores
cá no alto
por entre folhas e ramos
os pássaros
o vento
o sol
tudo continua,
normal

lá em baixo
na terra húmida
a guerra
nevoeiro de lâminas
os decepados
os decapitados
por entre o talho
uma criança chora
um menino soldado
ferido de lágrimas
lavado em sangue
tudo continua,
normal




bruno m. b. rodrigues




terça-feira, 27 de novembro de 2012

chorão









há quem diga que és triste
és mal amado
mal compreendido
julgam-te murcho
sem vida
acredito que és murcho
pelo peso dos bons momentos
que a tua sombra proporciona

não dás flor
não dás fruta
não faz mal
de ti
colhem-se aquelas memórias
de boas tardes passadas
a brincar
ou a arrulhar
com aquela menina

à tua sombra
imaginaram-se universos
criaram-se personagens
inventaram-se aviões
que te sobrevoaram
e depois partiram
para outros mundos
sem sair
da tua sombra primeva

começas a secar
formigas e outros invadiram-te
consomem-te do interior
se um dia secares por completo
até nada em ti estar verde
vou olhar-te com olhos de criança
e dizer
"é uma pena"
de mãos nos bolsos
irei embora
cheio do que de ti colhi



bruno m. b. rodrigues