sexta-feira, 24 de maio de 2013

ATRAƷ DO MURΘ








Felizmente não vemos senão detalhes. Se alguem podesse encarar uma alma até ás maiores profundidades, e vêr ao mesmo tempo de que ternura, de que ancia, de que desespero e de que tempestades essa alma é capaz, nunca mais podia desviar os olhos d'esse espectaculo. Fosse ella a minha alma ou a tua alma. Era o mundo todo, era o universo. Era Deus.



Raul Brandão




quarta-feira, 22 de maio de 2013

ʘ Ƨʘnhʘ











Chove. Cada vez vejo mais turvo, cada vez tenho mais medo. Estamos enterrados em convenções até ao pescoço: usamos as mesmas palavras, fazemos os mesmos gestos. A poeira entranhada sufoca-nos. Pega-se. Adhere. Há dias em que não distingo estes sêres da minha propria alma; há dias em que atravez das mascaras vejo outras phisionomias, e, sob a impassibilidade, dôr; há dias em que o céo e o inferno esperam e desesperam. Presinto uma vida oculta, a questão é fazel-a vir á supuração.




Raul Brandão





quinta-feira, 9 de maio de 2013

quarta-feira, 8 de maio de 2013

In memoriaM









Ao meu morto querido


Na cidade de Assis, Il Poverello
Santo, três vezes santo, andou pregando
Que o sol, a terra, a flor, o rocio brando,
Da pobreza o tristíssimo flagelo,

Tudo quanto há de vil, quanto há de belo,
Tudo era nosso irmão! - E assim sonhando,
Pelas estradas da Umbria foi forjando
Da cadeia do amor o maior elo!

“Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água…”
Ah! Poverello! Em mim, essa lição
Perdeu-se como vela em mar de mágoa

Batida por furiosos vendavais!
- Eu fui na vida a irmã de um só irmão,
E já não sou a irmã de ninguém mais!



florbela de alma



sábado, 27 de abril de 2013

momentum










entornada no solo,
dormente,
são vitais
os únicos sinais
que se te distinguem,
és uma massa indefinida
e viva, respiras e pulsas
sim, não és pedra
mas estás fria



bruno m rodrigues

a árvore




segunda-feira, 1 de abril de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

circunferenciar.se






apetece fazer aquilo que não sei que “aquilo” me apetece fazer          
θΝΤθζ