entornada no solo, dormente, são vitais os únicos sinais que se te distinguem, és uma massa indefinida e viva, respiras e pulsas sim, não és pedra mas estás fria
no alto das árvores cá no alto por entre folhas e ramos os pássaros o vento o sol tudo continua, normal
lá em baixo na terra húmida a guerra nevoeiro de lâminas os decepados os decapitados por entre o talho uma criança chora um menino soldado ferido de lágrimas lavado em sangue tudo continua, normal
há quem diga que és triste és mal amado mal compreendido julgam-te murcho sem vida acredito que és murcho pelo peso dos bons momentos que a tua sombra proporciona não dás flor não dás fruta não faz mal de ti colhem-se aquelas memórias de boas tardes passadas a brincar ou a arrulhar com aquela menina à tua sombra imaginaram-se universos criaram-se personagens inventaram-se aviões que te sobrevoaram e depois partiram para outros mundos sem sair da tua sombra primeva começas a secar formigas e outros invadiram-te consomem-te do interior se um dia secares por completo até nada em ti estar verde vou olhar-te com olhos de criança e dizer "é uma pena" de mãos nos bolsos irei embora cheio do que de ti colhi