Excertos - Fernando Pessoa
quarta-feira, 26 de março de 2008
Mário de Sá-Carneiro - O Amigo
quarta-feira, 19 de março de 2008
Irmãos e Um só Pai
Pai Nosso, que estais no Céu;
santificado seja o Vosso nome;
venha a nós o Vosso reino;
seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Amen.
terça-feira, 18 de março de 2008
INICIAÇÃO
Não dormes sob os ciprestes,Pois não há sono no mundo.
......
O corpo é a sombra das vestesQue encobrem teu ser profundo.Vem a noite, que é a morteE a sombra acabou sem ser.Vais na noite só recorte,Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do AssombroTiram-te os Anjos a capa.Segues sem capa no ombro,Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da EstradaDespem-te e deixam-te nu.Não tens vestes, não tens nada:Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,Os Deuses despem-te mais.Teu corpo cessa, alma externa,Mas vês que são teus iguais.
......
A sombra das tuas vestesFicou entre nós na Sorte.Não estás morto, entre ciprestes.
......
Neófito, não há morte.
Fernando Pessoa
segunda-feira, 17 de março de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
Hino

Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe…
Não tenho aqui morada permanente:
Leva-me mais longe…
Que importa se é tão longe, para mim,
A praia aonde tenho de chegar,
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do teu olhar?
Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a luz que me ilumina;
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da tua luz divina.
Esquece os meus passos mal andados,
Meu desamor perdoa e meu pecado.
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado.
Se Tu me dás a mão, não terei medo,
Meus passos serão firmes no andar.
Luz terna, suave, leva-me mais longe:
Basta-me um passo para a Ti chegar.
Leva-me mais longe…
Não tenho aqui morada permanente:
Leva-me mais longe…
Que importa se é tão longe, para mim,
A praia aonde tenho de chegar,
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do teu olhar?
Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a luz que me ilumina;
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da tua luz divina.
Esquece os meus passos mal andados,
Meu desamor perdoa e meu pecado.
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado.
Se Tu me dás a mão, não terei medo,
Meus passos serão firmes no andar.
Luz terna, suave, leva-me mais longe:
Basta-me um passo para a Ti chegar.

Carta a Fernando Pessoa
02-01-1985
02-01-1985
"Nada te costo renunciar a las escuelas y a las dogmas, las vanidosas figuras de rotorica y la tarea insistente de representar un país, una clase o una epoca.
Seguro nunca pensaste en tu lugar en la historia de la literatura. tengo la seguridad que los homenages sonoros te espantan, que te espantan tanto que va directo a tu corazon.
Eres hoy el poeta de Portugal, alguien pronunciara inevitablemente el nombre de Camoes.Escribiste para ti, no para la gloria...Dejame ser tu amigo !!!!"
Jorge Luis Borges
quarta-feira, 12 de março de 2008
As vidas da Morte
Iº
Oh, Morte, que não te sinto o cardeal
Onde para o teu Norte, Morte.
Nova anciã que nos estremeces o intimo.
Numa busca, em deserto ocre.
De fugaz areia, esvaindo-se da percepção.
Como me insultas com tua magistral máscara de solidão.
Onde stá o teu Norte,
Oh morte.
Respondes: a fazer ó-ó.
Eterno mortal, para te pôr Triste.
O que de mim queres saber,
Porque tens teu intimo a mim apontado em riste.
Que conseguiste...
Com essa pertença invencível e incrível armada.
Foi assim tem sido Sempre em todas as tuas Mortes.
Coisa nenhuma. O Nada
Gentes, assim, numa luta envolta em bruma.
Contra a forma informe perene.
Contra a Armada Oculta Solene!
IIº
Toma em coração o que te transmito.
Te digo, repara nos vincos da Vida, tua.
Não olhes em volta.
Não perscrutes no alto Firmamento.
Olha para a tua Alma, nua.
Esse será o Momento.
A Hora tua.
Em que retirando o meu tríplice véu.
Stou alva, desnuda!
Stou Nua! N:D:N:S:D
Iº
Oh, Morte, que não te sinto o cardeal
Onde para o teu Norte, Morte.
Nova anciã que nos estremeces o intimo.
Numa busca, em deserto ocre.
De fugaz areia, esvaindo-se da percepção.
Como me insultas com tua magistral máscara de solidão.
Onde stá o teu Norte,
Oh morte.
Respondes: a fazer ó-ó.
Eterno mortal, para te pôr Triste.
O que de mim queres saber,
Porque tens teu intimo a mim apontado em riste.
Que conseguiste...
Com essa pertença invencível e incrível armada.
Foi assim tem sido Sempre em todas as tuas Mortes.
Coisa nenhuma. O Nada
Gentes, assim, numa luta envolta em bruma.
Contra a forma informe perene.
Contra a Armada Oculta Solene!
IIº
Toma em coração o que te transmito.
Te digo, repara nos vincos da Vida, tua.
Não olhes em volta.
Não perscrutes no alto Firmamento.
Olha para a tua Alma, nua.
Esse será o Momento.
A Hora tua.
Em que retirando o meu tríplice véu.
Stou alva, desnuda!
Stou Nua! N:D:N:S:D
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